Não, eu não queria ter levantado da cama. Queria ter ficado pelo menos mais uma hora por lá. O dia está nublado e por isso eu considero um dia perfeito para ficar um pouco mais na cama. Ultimamente não tenho tido tempo para fazer essas coisas boas que somente os domingos demanhã nos proporcionam. Por falar nisso, para que mais as manhãs de domingo servem senão para que possamos ficar mais uma hora na cama? Não, hoje não é domingo, e obviamente eu não fiquei na cama por esse motivo.Mas ainda que fosse domingo, os monstros que fazem morada dentro de mim não me deixariam um minuto se quer quieta, em paz, sem pensar em nada, durante essa uma hora na cama. Já os convidei para ir embora. Tenho certeza que fiz isso com toda educação de uma boa moça de família. Não deu certo. Me despi da imagem de boa moça e expulsei-os de dentro de mim . Não deu certo novamente.
Não, eu não quero mais viver com as dúvidas, com sentimentos não compreendidos, com os momentos inacabados e muitos menos com falsas esperanças. Quero andar, c
orrer, dançar, gritar e ainda assim não ser mal compreendida. Preciso me tirar de dentro dessa prisão que eu construi ao redor de mim mesma, tijolo por tijolo, centímetro por centímetro. Libertar-me!Quero o sorriso mais sincero, o abraço mais apertado, a boca mais carinhosa, os olhos mais brilhantes e as palavras mais verdadeiras. Chega de viver o meio termo. Chega de viver pela metade. Quero o completo. Quero o inteiro. O pouco eu já tenho, agora eu quero o muito.
Respiro fundo e sigo meu caminho. Sigo com pés descalços, sentindo todas as pedras, poças de águas, e terra lisa que o caminho pode me oferecer. Vivo intesamente cada de minuto tendo a certeza que mudar é preciso, sem deixar de ficar mais uma hora na cama na manhã de domingo e, claro, sem nunca perder a essência.