Peguei uma caixa grande e coloquei ali dentro tudo o que um dia me prendeu. Revistas, medos, cartas, angústias, fotografias velhas, sorrisos amarelos, bilhetes, agenda telefonica, mágoas, CD's, perfumes, lágrimas. Como na música do Herbert Vianna, eu vi o meu passado passar por mim. Como em um velho filme preto e branco, somente a nostalgia tomava conta daquele lugar. Senti o cheiro dos lugares ao rever as fotografias. Mentalmente cantei as músicas ao separar os CD's. Me remeti ao passado. Relembrei momentos vividos. Decidi então colocá-los no fundo da caixa. Já era tempo de me desfazer das antigas lembranças. Um novo futuro precisa ser vivido. Uma nova vida me espera e nada do passado poderá me segurar, nem mesmo aquela caixa.Fui até o armário peguei a fita adesiva larga e lacrei a caixa que já estava fechada. Debrucei-me sobre a caixa e suspirei alto. Era o fim. Ali dentro estavam todos os monstros que eu consegui tirar de dentro de mim. Ainda há outros e eu não sou leviana em dizer que são os últimos. Contudo, uma onda de satisfação tomava conta de mim. Finalmente eu consegui mandar quase tudo embora, dentro daquela caixa.

Peguei a caixa, abri a porta e fui descendo as escadas. Lixo. Era isso que eu tinha decido. Tudo ia para o Lixo. Tudo o que não me serve, tudo o que me incomoda, tudo que me coloca para baixo foi para o lixo.
Quando retornei vi que “a casa fica bem melhor assim”. O ar era diferente. A atmosfera era diferente. Eu estava diferente. Agora eu tento fugir da prisão que eu construi. Parte do que eu edifiquei eu tinha destruído e colocado dentro daquela caixa. Agora é questão de tempo.
O que me deixa mais tranquila é que agora consigo me enxergar no espelho. Já vejo um rosto e não uma figura disforme. Há sonhos dentro de mim. Há um sorriso no rosto. Já consigo me ver e estou descobrindo quem sou eu, mas isso é outra história.
"Aquilo que não me serve eu dispenso..." No momento em que tomamos o lugar do 'Aquilo' percebemos nossa importância, o quanto somos dispensáveis para alguns.. A reconstrução não necessariamente precisa dos mesmos artefatos.
ResponderExcluirBelo post, ótima idéia! "Lacrar a caixa, poder sorrir novamente..."